28-09-2015

Reajuste de 8,13%: as razões do impasse atual

Conforme noticiamos na última matéria, com a aprovação do aumento de ICMS e a consequente elevação das contas de luz, água e telefone em 7,14%, o reajuste ainda não votado NÃO VALE MAIS NADA! Para preservar o poder de compra que teria em julho precisaria já ser de 16,98%!

Desde o início de agosto o Movimento Indignação alertou que era necessária a realização urgente de Assembleia Geral e deflagração de greve para fazer cumprir o acordado no fim do último movimento grevista. Mas a iluminada direção do Sindjus-RS preferiu confiar na "palavra" do patrão, reiteradamente descumprida e "renovada".

Assim se adiaram as decisões ao máximo possível, se fizeram caravanas pelo interior pra desmobilizar os servidores e convencê-los a esperar. O pré-requisito alegado para envio do projeto (aumento do ICMS) já se deu e nem assim os 8,13% chegaram ao Legislativo. E, se chegarem (o que deverá ocorrer nesta semana, no mais tardar, na próxima, conforme informado pelo presidente do TJ em reunião com os servidores da comarca de Gravataí, nesta segunda-feira, 28/9/2015) e forem aprovados, sequer cobrirão a inflação resultante do pacote tributário somada à já decorrida desde o fim da última greve até agora.

 

Como é possível termos chegado a este impasse? É verdade que, ao contrário do ocorrido em junho/julho, na maior greve do judiciário gaúcho, nos encontramos completamente apáticos e desmobilizados. Mas, como muitos analistas de plantão estão a propalar por aí, será esta realidade responsabilidade exclusiva da massa dos trabalhadores da justiça?

Se entende, diante da montanha de contas a vencer no final do mês e de 25 anos sem jamais recuperar por completo a inflação que corrói seu salário, que um servidor comum se iluda e se ajoelhe a rezar e esperar, no seu desamparo, que as soluções caiam do céu, vindas da caneta de um improvável patrão sensível.

Mas não se compreende que um dirigente sindical eleito para zelar pelo interesse de seus representados, que tem a sua disposição, graças à suada contribuição dos sindicalizados e as suas prerrogativas legais, todos os meios para cobrar contundentemente o cumprimento dos acordos entre os trabalhadores e o patrão, se deixe "enrolar" pela promessa eternamente descumprida e renovada do tribunal (que age como aqueles maridos cafajestes que, a cada ameaça de separação feita pela esposa, prometem "mudar") e, ao invés de liderar a categoria na luta, trate de acomodá-la, deixando que as "conquistas" de uma árdua e forte batalha se esvaiam pelo ralo, completamente diluídas. No entanto, a diretoria do Sindjus, continua a acreditar na palavra patronal e a ESPERAR pelo cumprimento de suas promessas. Os vídeos abaixo são um exemplo sintético e vivo desta postura.

garantia

 

calma

A pretexto, republicamos a seguir, por sua enorme atualidade, poema trazido a público neste blog em abril deste ano, quando já antevíamos a atual postura da direção do Sindjus:

 

O papel do sindicalista:

 

O papel do sindicalista
não é suplicar, mas exigir!

Não é acomodar seus liderados,
mas despertar a rebeldia e a inconformidade.

Não é tecer considerações
sobre os motivos do patrão para pagar-nos
o sacrifício inumano do trabalho
com as migalhas da desfaçatez.

O papel do sindicalista não é bajular
os poderosos, nem iludir a peonada
na esperança de um patrão benevolente.
Não é dourar o desânimo e os equívocos
do trabalhador, mas sacudi-lo de seu sono!

Não é postar-se a espera que os direitos
de vida digna e labor humano
caiam do alto na abnegação

de um senhor privilegiado cujo fausto
é produto da necessidade
nua e feroz que tortura nossas vidas.

O papel do sindicalista 
não é reforçar os pendores conformistas
da peonada que se vê perplexa,
mas, compreendendo o desemparo, despertá-la
com a luz cortante da realidade
e conduzi-la à luta sem fronteiras!

É erguer-se da planície, junto à massa,
e tomar de assalto as fortalezas
Do privilégio sem nome que relega-nos
À condição miserável de rebanho.

movimento indignação

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