Não, caro leitor. O título acima não se trata de exploração alarmista e/ou distorcida dos fatos de quem pretende fazer oposição tresloucada ao governo do Ivo-viu-a-uva ou à direção do Sindjus. Mas, infelizmente, é a pura realidade, verificada na ponta do lápis, através do raciocínio matemático mais elementar e inquestionável possível.

Como diziam os velhos camelôs dos anos 1920, entender as operações necessárias para se chegar a esta constatação está ao alcance de qualquer criança e  "não exige prática nem habilidade.

Vamos começar, portanto, do básico. Vivendo em regime de inflação praticamente constante, todos sabemos que o mesmo valor em dinheiro que possuíamos no mês passado, hoje já não comprará exatamente a mesma quantia das mesmas mercadorias que então adquiríamos. Assim, é natural, pela própria inflação decorrida desde que nos foi ofertada a esmola de 8,13% pelo Tribunal, ao fim da greve de julho, que este reajuste, até o momento ainda não votado, aprovado e sancionado, caso nos fosse pago hoje, já não representaria o mesmo poder de compra que possuía na sua vigência retroativa (1º de julho de 2015). 

Como a inflação, medida pelo IGP-DI, desde então, já acumulou 0,98%, os 8,13% de julho, descontada a desvalorização, representariam hoje, 23 de setembro, já tão somente 7,08%.

Até aí nada de muito anormal, uma vez que, recebendo reposições anuais (ou por períodos superiores), é natural que, ao longo do tempo, estas venham perdendo cumulativamente o seu valor, Mas se nos últimos 5 meses (de abril a agosto de 2015), mesmo com toda a aceleração inflacionária decorrente da crise brasileira a inflação (medida pelo IGPM) acumulou 3,26%, por outro lado a repercussão do aumento de ICMS aprovado ontem pelos deputados da base governista deverá resultar num talagaço de 3% de uma vez no nível geral dos preços no Rio Grande do Sul, conforme matéria divulgado no site G1 em agosto passado (clique aqui para ler).

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Depois de 21 dias de greve, categoria adota a política da Bibiana Terra: fiar, chorar e ESPERAR!

 Descontados a inflação de julho/agosto e este novo aumento tributário, que logo estará incorporando aos preços (num total de 4,01%), o nosso tão pranteado e esperado (sabe-se lá por que eternidade) reajuste já estará equivalendo, nos próximos dias, em termos de poder aquisitivo, tão somente a 3,96% sobre os nossos salários vigentes em 1º de julho . Com a aprovação do pacote fiscal (tão esperada por aqueles que, confiando na palavra do Tribunal de Justiça, como a direção do Sindjus-RS , vêem nela a condição satisfeita para envio da reposição ao Legislativo), vai-se embora, portanto,  mais da metade do valor real dos 8,13%.

Mas o absurdo não termina aqui. Se levarmos em consideração o aumento de 7, 14% das contas de luz e telefone que resultará do pacote do seu Ivo, conforme a matéria mencionada (que somado à inflação do bimestre resulta numa desvalorização total de 8,19%), O REAJUSTE DE 8,13%, SE JÁ ESTIVESSE NOS NOSSOS SURRADOS BOLSOS, HOJE, JÁ NÃO ESTARIA VALENDO MAIS NADA, RESULTANDO EM UMA DIMINUIÇÃO REAL DE 0,06% EM RELAÇÃO AO QUE ESTÁVAMOS RECEBENDO NO FINAL DA GREVE!

Num cenário destes, no mato sem cachorro, para comprar o que compraríamos com o reajuste prometido e engavetado no dia em que o aceitamos, encerrando a greve, já seria necessária, neste momento, uma reposição de 16,98%, valor este superior aos próprios 15% que reivindicávamos no início da última greve.

 


 

Como já mencionamos em outras matérias e na última Assembléia Geral, o Movimento Indignação, nem qualquer de seus membros, não concorre a nenhum cargo para a direção do Sindjus-RS nas próximas eleições sindicais (e crê que o melhor momento para avaliar as atitudes da atual diretoria será quando elas se realizarem, em 2016). Não podemos entretanto, nos furtar, diante do desamparo total e completo a que restamos submetidos, juntamente com o restante do funcionalismo estadual, pela política nefasta do senhor Ivor Sartori, a constatar que, SE INFELIZMENTE NÃO TIVEMOS SEQUER A CHANCE DE GOZAR POR UM ÚNICO MÊS DO VALOR REAL DA REPOSIÇÃO OFERECIDA, POIS SE ELA VIER A SER APROVADA JÁ NÃO VALERÁ NADA, ISTO SE DEVE EM GRANDE PARTE À POLÍTICA A QUE NOS SUBMETEU O PATRÃO JUDICIÁRIO, COM O AVAL DA DIREÇÃO DO SINDJUS, DE NOS ACOMODARMOS COMO A VELHA BIBIANA, PERSONAGEM DE ÉRICO VERÍSSIMO NO ÉPICO "O TEMPO E O VENTO", CUJA VIDA SE RESUMIA A "FIAR, CHORAR E ESPERAR". O que talvez explique o nervosismo de alguns diretores do Sindjus na última Assembléia Geral (infelizmente esvaziada, diante desta própria política), que tiveram de ser contidos por seus pares para não revidar fisicamente a crítica de representantes de local de trabalho da comarca de Porto Alegre que relembravam a ingênua afirmação de um dirigente de crença absoluta na aprovação e sanção do reajuste de 8,13% em vista da palavra dada pelo Tribunal de justiça! (confira nos vídeos abaixo o discurso do dirigente)

calma

garantia


 
movimento indignação