SINDICATOS?

Ralph J. Hofmann

O meu envolvimento sentimental/pessoal no  caso de Simone Janson  Nejar levou-me a tecer considerações quanto às atitudes de certos sindicatos. Até que ponto são realmente órgãos de defesa dos que deveriam representar?  A que ponto são simples extensão dos órgãos em que trabalham seus filiados. A que ponto são meramente forma de obter poder e influência, e mesmo renda pessoal excepcional de seus dirigentes.

Não cabem aqui generalizações. Ao fazê-lo eu poderia estar cometendo injustiça a muitos abnegados batalhadores. Não conheço este cenário suficientemente.

Mas na minha vivência como executivo assisti pelo menos a um incidente quando a interferência dos sindicatos, influenciados pelos objetivos maiores do sindicalismo a nível nacional custaram vantagens aos trabalhadores envolvidos.

Em meados da década de 80 aproximavam-se as negociações coletivas normais da classe da firma em que eu trabalhava. Era, sob certos aspectos, a maior empresa do ramo na América Latina. Uma empresa legitimamente nacional, criada por brasileiros de segunda geração. O pacote de concessões, preparado por um Vice-Presidente de grande consciência social, estava pronto. Coninha diversos avanços sociais e salariais consistentes.

Eis que, semanas antes de ocorrerem as negociações, o sindicato de repente trouxe a organização nacional para a cidade e de uma hora para outra a situação ficou antagônica pela primeira vez em quase 50 anos de existência da empresa. Saímos do trabalho sexta-feira à tarde e encontramos piquetes lacrando a indústria na segunda-feira de manhã. Por muita concessão permitiram que engenheiros e alguns operários graduados entrassem para manter certos equipamentos que poderiam ser perdidos se não mantidos em funcionamento. As pessoas que se ocuparam deste mister não podiam sair e voltar. Ficaram dormindo em camas de acampamento e recebendo alimentos, roupas, etc, trazidos pela polícia.

Seguiu-se precisamente uma semana de negociações hostis e finalmente o sindicato anunciou triunfante uma vitória. Analisado o pacote foi possível constatar que  as vantagens eram menores que o pacote que a empresa pretendia propor. A empresa, naturalmente não revelara isto, pois presumia-se novos embates hostis em datas futuras. Precisava manter uma reserva técnica. Finda a greve cessou o teatrinho. O Presidente do sindicato local saiu fortalecido e retornou à sua relação normalmente afável com a diretoria. A organização nacional saiu arrotando grosso. “Paramos a empresa tal que é uma das maiores do mundo.” Os trabalhadores tiveram de pagar um emolumento ao sindicato por ter sido bem sucedido na negociação, isto decidido numa assembléia geral conclamada no afogadilho sem pauta específica em que a decisão foi tomada por aclamação.

Portanto pouco me surpreende observar sindicatos omissos. 

No caso do sindicato dos servidores do TJRS observo que ha formas perniciosas de convivência respeitosa entre o poder e os representantes dos serventuários. Aqui está um sindicato que há 5 anos não consegue um aumento para seus representados. Faz o que então? Limita-se a receber uma parcela do imposto sindical?  Sua presença não é necessária para a homologar a decisão unilateral de demitir uma funcionaria concursada?  Pelo que me é dado saber os sindicatos de indústria e comércio neste aspecto costumam ser bastante operantes na defesa de seus filiados. É algo que funciona bem neste país.

E mais, sendo esta uma representante eleita, com ata assinada no sindicato, assim protegida de demissão por alguns anos passa a ser mais chocante ainda sua inércia. Creio que até deveria estar adiantando os salários para posteriormente cobrá-los do poder que a demitiu irregularmente. 
Mas nada acontece neste sentido.  Funcionários se sentem acossados. Com a inércia do sindicato qual a disposição das pessoas de denunciar qualquer irregularidade? Serão defendidos? Piada? Qual a perspectiva de  combater a corrupção no país?  Nenhuma!  Os pequenos funcionários, sem acesso a possibilidades de se locupletar, sem um interesse na corrupção, por questão de sobrevivência, se calam.  “Não te mete a gaudério!  O homem tem força!”