26/02/2009 às 15:20:00h
A civilização de teflon
Editado por Adriana Vandoni

Por Ralph J. Hofmann

Quando Ronald Reagan era presidente dos Estados Unidos ganhou a alcunha de “Presidente de Teflon”. Isto se referia ao fato de que se jogava sujeira no rosto de Reagan, mas a sujeira nunca o manchava. Tinha uma grande integridade e tamanho patriotismo, sem falar de sua inquebrantável vontade de servir ao seu país que mesmo não sendo preferência unânime a sua imagem superava aos ataques.  Findos seus 8 anos retirou-se com dignidades. Anunciou seu Alzheimer e foi para casa morrer em paz.

Que imagem para um ex.! O patriarca de seu país por muitos anos sumindo com dignidade. O Cowboy que fora tantas vezes no cinema sumindo rumo ao crepúsculo.

Se tivermos de procurar encontraremos em muitos lugares pessoas assim, jornalistas, lentes de universidade, juízes, promotores, chefes de repartição pública, inventores e cientistas que só são lembrados no seu próprio círculo de especialização, pessoas que trataram de denunciar injustiças.

Infelizmente no Brasil temos uma civilização de teflon também. Revestem-se com teflon as instituições, que protegidas por este revestimento antiaderente fazem as maiores impropriedades, aplicam em benefício próprio medidas ilegais, criminosas até e não sofrem sanções, ou por estar em posição de poderem se locupletar com os que deviam julgá-los ou sumariamente afastá-los. Ficam de posse do controle dos instrumentos que seriam acionados para responsabilizá-los.

Um caso pertinente é o que tem ocorrido no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Repassando para os que não tenham lido a respeito, Simone Janson Nejar, ha mais de dez anos funcionária concursada no mais alto nível de funcionários da instituição, advogada, colocada em primeiro lugar no exame da OAB-RS no ano que fez o exame, representante do sindicato no seu departamento, cansada de ver cargos que poderiam ser ocupados de funcionários concursados da casa ser dirigidos a pessoas nomeadas em CC fez por curiosidade um levantamento do nepotismo no TJRS.

Ficou estarrecida assim que começou a desvendar o novelo de relacionamentos, descobriu ligações fraternas entre o Presidente do TJRS, Armíno José Abreu Lima da Rosa e empresas contratadas para executar serviços e  denunciou formalmente estes desmandos, documentando-os copiosamente.

As autoridades encarregadas de investigar receberam as denuncias com toda a seriedade e processo de investigação, lamentavelmente moroso, segue seu curso. Não há dispositivos no Brasil que afastem as pessoas envolvidas pela denúncia de seus cargos, por via das dúvidas. Os prazos são prolongados para respostas dos acusados. Então Simone Janson Nejar passou a viver cotidianamente na cova do leão que denunciara.

O Presidente Armínio, num país onde a lei se tornou referencial para estudantes de direito, mas apenas aplicável para o público em geral, deveria ter se mantido absolutamente frio. É um magistrado. Devia ter a frieza de um magistrado. Defender-se contra acusações se houvesse condição para tanto, apresentar suas justificativas, mas sofrer em silêncio como nós do público pagamos seu salário apenas com um gemido ocasional ante a pesada canga dos impostos sobre nossas costas.

Mas o respeito devido a um magistrado, o que faz com que um magistrado em monarquias seja um nobre menor, nas democracias seja um honorável magistrado, no Brasil seja um ilustríssimo senhor, tem, não raro, o pendor de fazer com que os mesmos se mirem em espelhos e vejam semideuses.

Em função das denúncias, capeadas por documentos, coligidas dentro da lei por advogada que prestou juramento, portando sendo triplamente  obrigada a efetuar denúncia  de maus atos que perceba pelo fato de, na qualidade de advogada ser membro da estrutura legal do país, ao ser concursada dever tal zelo pelo fato de ser membro permanente do sistema, e finalmente por ter cargo sindical dever lealdade aos seus pares como um todo, passa a ser tratada como se tivesse obrigação de subalterna de ocultar o que sabia 

Simone Janson Nejar foi suspensa por sessenta dias e a seguir demitida.

Não entrarei aqui no significado da perda de sua renda mensal a uma mãe de família. Vou me estender sobre a ilegalidade dos atos cometidos pelo Presidente Armínio quer tenha ordenado ou autorizado estes atos passíveis de processo criminal

Em primeiro lugar aplica-se pressão psicológica contra uma pessoa que denuncia um crime e que será em data futura testemunha. Esta pressão é vedada na Carta Máter do Brasil.

Em segundo lugar infringe-se a indenidade do emprego de pessoa com cargo em sindicato, por muito que o sindicato posteriormente tenha se omitido de defendê-la, mas sabemos da incoerência dos sindicatos no Brasil..

Finalmente despede-se uma funcionária concursada com base em inquéritos internos em que os depoimentos a favor de Simone Janson Nejar, existentes e com cópias disponíveis tivessem sido confrontados com o testemunho de pessoas relacionadas na lista de pessoas beneficiadas pelo nepotismo.   

Tal ato de despedir configura uma ilegalidade , um crime, cometido pelo Presidente do TJRS, independente dos crimes de que seria ou não inocente de ter cometido mantendo redes de nepotismo em  seus domínios.

Para começar é três vezes ilegal e a isso pode-se adicionar uma acusação de não ser meramente um ato administrativamente falho, como de abuso de poder, de malversação de fundos no que tange dar origem a processos futuros de compensação contra o estado numa situação criada pelo juiz e que este, na condição de advogado formado, não pode ignorar. Portanto o juiz usou e abusou da sua autoridade para criar um fato que um dia onerará o contribuinte, simplesmente para escapar a uma situação desagradável.

Muitas outras coisas têm ocorrido subseqüentemente. Não se pode exatamente vinculá-las ao juiz, mas sempre ha os sicofantas, os que desejam fazer o que agrada ao patrão. Lembremos a morte de Thomas à Becket –Arcebispo de Cantuária que condenava certos atos de Henrique II.. Henrique exclama: - Quem me livrará deste clérigo incômodo! – E dois cavalheiros da corte se retiram, encontram Becket orando e o assassinam.

Simon tem sido seguida na rua, por dias pelas mesmas pessoas, recebe telefonemas insultuosos no seu telefone fixo, seu número de celular, confidencial,  tem recebido chamadas estranhas e após combinar por telefone um encontro para um cafézinho num certo lugar ao chegar lá tem encontrado refestelado um elemento da segurança da presidência do TJRS.

Admito que possa  ser coincidência. Mas lembramos que não é porque a pessoa é paranóica que ela não possa realmente estar sendo perseguida.  E no caso da Simone os motivos e os indícios indicam uma campanha sistemática.

Do outro lado da cidade a vida entre os CC do TJRS continua igual. 

fonte: http://www.prosaepolitica.com.br/index.php?id=5950

http://www.diegocasagrande.com.br/index.php?flavor=lerArtigo&id=1061